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Por Mario Nemer

CARREATAS E CAMINHADAS POLÍTICAS: DIREITOS E DEVERES

30.10.2020

As eleições se aproximam e as divulgações de candidaturas surpreendem a cada dia.

O mesmo vale para as novas modalidades de campanha com candidatos que não desejam brigar com ninguém e outros que deixam esses meros detalhes com seus aliados e correligionários. Interessante o poder de propagação das redes sociais que ultrapassam os métodos antigos de distribuição de panfletos, camisetas e adesivos.

Mudou o eleitor, mudou a campanha, mudaram as siglas, só não mudaram as promessas. O jogo é jogado, mas os dados não rolam. O silêncio envelopa os acordos para que osseus conteúdos só sejam conhecidos por edições dos respectivos diários oficiais nem sempre oportunos.

Veja-se os casos de carreatas e passeatas ruidosas por todo o Brasil em época eleitoral que revelam mais prejuízos para a sociedade do que benefícios. Atrapalham a rotina de quem depende do trânsito e alteram o modo de vida e tratamento dos enfermos, idosos e deficientes. Campanha com dinheiro é fácil, mas em município rico o viés é outro.

Mesmo assim nada justifica o excesso de algumas campanhas que extrapolam os limites sonoros previstos e o tempo de martírio para alguns cidadãos que não podem mudar seus destinos ou rotinas diante dos inegáveis e, na maioria das vezes, involuntários abusos.

Apesar de ser direito primário dos candidatos e partidos organizadores é preciso sopesar as demais questões envolvidas e avaliar outras opções para que o alcance pretendido da propaganda ou de sua divulgação seja alcançado. Como definir votos se não existe respeito, se não existe exemplo de nossos políticos.

As cidades menores e mais antigas tinham coretos para discursos e exibição de propostas. Hoje o político passa, cumprimenta e segue em ritmo meteórico até mesmo para evitar os ataques desleais. Alguns sem máscaras para evitar duplicidade de proteção ou de reputações...

Multiplicam-se os cargos, os concursos, as licitações e concessões tornando-se o Estado imprescindível para a sobrevivência privada, quando antes a dependência era inversa. O papel dos novos Robin Hoods inverteu-se sem risco de enforcamentos.

Dilema de gerações: viver do Estado, para o Estado, com o Estado. A juventude com vida noturna adiada permanece em dúvida quanto aos rumos de suas carreiras pós-pandemia. De fato, nada substitui o talento, mas ter o mínimo de segurança é fundamental. E tudo passa pela educação e pelos políticos.

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