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Por Basílio Machado

ARTIGO • A BARCA ZARPOU

11.03.2021

Na vida política, é difícil chegar ao topo. Porém, manter-se lá por muito tempo é ainda mais complicado. Exige paciência, muita determinação e capacidade de dialogar com a sociedade, além, claro, de muita articulação nos bastidores. O tempo político não é o mesmo do real. Pode demorar uma eternidade para um político ver sua carreira alcançar o olimpo e um triz para vê-la escapar aos dedos. Temos tido muitos exemplos disso.

Em Cachoeiro, vimos recentemente Valadão e Casteglione desidratarem em seus últimos mandatos. Tanto um quanto outro sucumbiram ao voraz ataque adversário. Casteglione ainda teve contra si uma conjuntura nacional desfavorável, com a Lava-Jato vaporizando o PT. Ambos governaram Cachoeiro por duas vezes e saíram desgastados do Palácio Bernardino Monteiro.

Ferraço governou mais tempo, foram quatro mandatos. Começou a perder terreno justamente quando teve gestões consecutivas. Não fez o sucessor imediato tampouco conseguiu eleger mais alguém por aqui, a não ser a si próprio como deputado. Todavia é uma exceção. Octogenário, ainda tira oxigênio de onde nem o corona encontra. Nasceu vacinado.

A verdade é que o segundo mandato carrega uma espécie de maldição. Para manter-se no topo tem que saber exatamente onde se quer ir e como chegar. É uma espécie de provação, de Barca do Inferno, com a devida vênia de Gil Vicente, o magnífico teatrólogo português que viveu no período em que a Terra de Santa Cruz começava a ser saqueada.

Por fim, onde quero chegar com isso? No atual prefeito, Vitor Coelho, logicamente. Depois de enfrentar o primeiro ano de pandemia, com direito a lockdown, e encarar de frente a maior enchente da história da cidade, se reelegeu com votação histórica. Coisa de predestinado? Pode ser. Prefiro pensar que o prefeito tem timing para o tempo político. Coisa rara.

Sua recente candidatura à presidência da Amunes, com chapa de consenso entre os prefeitos capixabas, foi uma jogada e tanto. O chamado gol de placa, que pode lhe dar a projeção que ainda não conquistara, o bilhete premiado para se popularizar regionalmente. Resta agora saber liderar, reivindicar e conciliar. Ser líder é bem mais que posar para fotografia, é tarefa pra poucos.

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