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Por Basílio Machado

O silêncio sísmico de Jerônimo

21.04.2020

Os mais bairristas costumam dizer que Cachoeiro de Itapemirim e Alegre fazem parte da “Grande” Jerônimo Monteiro, município de larga tradição política, fundado em 1958, que leva o nome de um dos maiores governadores que o Estado já teve. Lá também é terra de José Carlos Carvalho, ex-ministro e figura respeitada internacionalmente nas questões ambientais.

 

Ainda no campo político, Jerônimo Monteiro tem particularidades que o difere dos municípios vizinhos. Lá, por exemplo, nunca se reelegeu um prefeito. Por isso, alguns preferem nem tentar a reeleição, como foi o caso de Sebastião Fosse (Batok), no último pleito. Mesmo com um arsenal invejável de realizações, ante ao desgaste do processo eleitoral, preferiu desfrutar do merecido ócio ao sabor das laranjas folha-murcha e do bate-papo matreiro com os amigos. Laranjas, aliás, que são as melhores do Brasil.

 

No momento, um silêncio sísmico vibra sob a cidade. Articulações têm ocorrido nos bastidores na busca por um nome capaz de manter a tradição e destronar Sérgio Fonseca (PSD), o atual prefeito. Tarefa difícil. Fonseca concluiu as obras de Batok e ainda avançou em alguns setores. Essa semana, por exemplo, coloca à disposição da população um ônibus gratuito, com ar-condicionado. Assim, vai refrescando a própria pré-candidatura. Tem a seu favor, ainda, a retomada com mais vigor das festas da cidade, que ajudam a movimentar a economia local e agradam o eleitor. É o tipo populista, às vezes frequenta botequim e sempre que pode aperta a mão do povo, não importando se cristão ou gentio.

 

Os inconfidentes de Jerônimo se organizam em torno de três nomes: Bodinho (Edson Fosse Filho), pelo PRB, o ex-juiz Ilton Louvem (PDT) e o vereador Mitter Volpasso (PP). A ex-secretária municipal de Educação, Maria Luíza de Oliveira Liparizi (PRTB), candidata nas últimas eleições, faz dobradinha com Bodinho, ou seja, também está no grupão.

 

O PDT, além de Ilton, vem fortalecido pelo atual vice-prefeito, Ari Porto (que rompeu com Fonseca), e por Renato Lima, aposentado de prestígio na cidade. O problema maior do grupão será ajustar a chapa e contornar as vaidades. Mitter, por exemplo, quer a cabeça de chapa, mas não tem densidade eleitoral para tanto. Luíza e Renato seriam bons vices. O problema é que vice só pode ter um. E cabeça de chapa também. Se conseguirem se acertar, vão dar trabalho.

 

Cogita-se ainda, fora desse grupão, o nome do ex-diretor do Saae, José Geraldo Ferreira Júnior, recentemente filiado ao PV. Assim como o próprio nome do partido, ainda é uma candidatura verde, que precisa ganhar musculatura eleitoral e correr muito atrás do tempo perdido. É uma incógnita.

 

Tudo bem, mas aí o gaiato pode me perguntar o seguinte: e o grupo do PSB? Bom, o partido do governador Renato Casagrande, que abriga Maria Aparecida Giri Dias (foi vice de Batok), o vereador Genaldo Resende Ribeiro e Jorge Portela, entre outros, bem lá no escondidinho do cinema, a aposta é de que fica com Fonseca. Genaldo pode compor a chapa, como vice. É um apoio de peso para o prefeito, se confirmado. Voltaremos ao tema.

http://dobasilio.blogspot.com

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