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Por Basílio Machado

O tempo e o vento, uma ópera bufa

03.05.2020

 

Compromisso de escrever é assim, tem que cumprir, senão o editor puxa a orelha. Esperto é o Higner Mansur, que agora é verde igual às folhas das mangueiras da Ilha da Luz. Quando se aperta, mete um escrito antigo, uma carta de outrora, um reclame incessante, dá uma repaginada, e resolve o problema. Procurei em meus alfarrábios e só vi os rábios, nada de alfa.

 

 Tinha pautas boas em vista. Presidente Kennedy, Marataízes, Piúma não, que é coisa da Luciana, o máximo. Ia escrever sobre o Garrafão, mas também não posso. É latifúndio que tem dono. Pensei em falar mal do Evair de Melo, mas o deputado tá bem na fita em Brasília, tá em casa, no Partido Progressista (PP), junto aos ruralistas. Seja lá que fita seja essa.

 

Covid 19 e essa aporrinhação de esquerda contra direita é para politiputas (neologismo meu). Falar mal do Bozo é cair no lugar comum. Do Lula, nem se fala mais. Ciro é um escroque nordestino, com todo respeito à rapadura. Já perdi meu tempo em palestra dele e o entrevistei. É samba de uma nota só e oportunista de carteirinha. Não é a toa que no segundo turno da última eleição ele botou a viola no saco de foi pra Pasárgada, acreditando ser o herdeiro do rei persa*.

 

Do Vítor Coelho, o prefeito boa pinta, não falo, senão apanho em casa. E nesse isolamento residencial a última coisa que quero é brigar com a patroa. Não teria pra onde correr. A não ser que saísse por aí de máscara feito Durango Kid. Tá todo mundo igual ao Durango Kid na rua. Até os ladrões. Junto e misturado. Se alguém anunciar um assalto, tenho pena dos seguranças. Vão ficar igual à biruta de aeroporto, mirando em todo mundo.

 

Falar mal do Big House é perigoso, ele pode estar com a razão e ainda cortar o bônus de julho dos professores. O de dezembro já cortou. Imagino que nessa altura do campeonato a tesoura esteja trepidando em sua mão direita. Minha esperança é de que a esquerda seja mais destra. Deu pra entender? Esquerda mais destra... Sei não. Deixa o Casão em paz, curtindo sua cruzada contra o corona, os comerciantes, o presidente e o que mais vier.

 

Pra fechar, que o texto vai ser curto mesmo, vou refletir sobre uma entrevista que vi na CNN Brasil. Verdade, já temos CNN, a maior do mundo. Trouxeram pra cá só pra fazer raiva no Trump. Algum americano tem que falar mal dele nesse país. Mas um sujeito, presidente da “Prosperity American”, ONG de direita (lá tudo é direita, porque americano nasce só com um braço), me deixou intrigado.

 

Ele projetou os EUA pós-pandemia. Disse que após o 1º de Setembro, “Dia do Trabalho” por lá, quando as coisas estiverem mais calmas, pertinho das eleições, os americanos vão aprender os mistérios do fogo pra te incendiar. Essa música... Bem, prognosticou que só então a ficha vai cair. As pessoas vão perceber o que foi ou não foi feito, os resultados, o fruto do medo vai aparecer. Então, um vento vai bater dentro deles (os americanos).

 

Por analogia, acredito que vai acontecer o mesmo por aqui. Depois de tudo, vamos ver quem tinha razão. Bozo terá dois anos pra aprender os mistérios do fogo. Os prefeitos, esses não. Estão no fio da navalha. Podem pagar pelo excesso de zelo ou pela falta dele. Torço para que esteja vivo para ver no que vai dar. Por precaução, mesmo durango, no osso, uso a máscara. Na melhor das hipóteses, os cobradores não vão me reconhecer na rua. Tem um vento batendo dentro de mim. Vou ao banheiro.

 

*Ciro II: Rei da Pérsia Arquemênida. Era costume persa manter várias capitais em simultâneo, em função da vastidão do império: Persépolis, Ecbátana, Susa ou Sardes. PQP, tá doido?

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