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É realmente necessário gastar mais de R$ 800.000,00 em um portal de entrada?

Por Diego Ramon

06.11.2017

 

Essa notícia é de causar, no mínimo, um pouco de nossa reflexão, seja como cidadão, ou seja, como gestor municipal.

Noticiada oficialmente na página governamental do estado do Maranhão (http://www.ma.gov.br/agenciadenoticias/politicas-sociais/cultura/sao-luis-ganhara-portal-de-entrada-na-br-135), esse é um exemplo clássico da necessidade de um Turismólogo em um órgão público. Pois somente esse profissional, possui formação e entende o turismo sistematicamente, englobado na realidade da região, assim poderá justificar de maneira plausível a real necessidade de um investimento dessa magnitude para a atividade turística regional.

Claro que aliada ao parecer técnico do profissional de turismo, acredito que seria essencial referenciar também a opinião do trade turístico, através do COMTUR. Dessa maneira, juntamente com o setor público, englobaria uma gama relevante de indivíduos envolvidos no turismo daquele destino.

Na verdade não sei se o projeto desse portal tem um aval de um Turismólogo ou uma indicação positiva do COMTUR – claro que espero que tenha – também não gostaria de focar apenas nesse investimento, gostaria que esse artigo fosse entendido de maneira global, pois temos, de maneira geral, uma grande dificuldade de justificar investimentos públicos no turismo, muitas das vezes por falta de dados estatísticos do setor.

E assim foram os gastos públicos na última copa do mundo de futebol e nas olimpíadas do Rio de Janeiro. Existia sim um clamor popular, contudo as prospecções de retorno de investimento simplesmente não aconteceram. Diante disso gastaram mais que tiveram retorno, e um retorno de investimento público não é necessariamente financeiro, podendo ser também social, cultural, entre outros.

Exemplos parecidos com esse, contudo em menor escala, podemos perceber em nossas cidades, investimentos com até boas intenções que fogem da realidade quando apresentam o valor a ser empenhando naquela despesa.

Em outra via vejo a iniciativa privada pontuando bons investimentos em nosso setor, fora dos gastos milionários e dentro dos gastos justos.

Assim esperamos que pelo menos a maioria dos gastos destinados ao turismo seja respaldada por um retorno palpável ao trade turístico, seja um evento, uma praça, um portal, ou até mesmo um ponto de ônibus...  para cidades que são ou pretendem ser destinos turísticos, qualquer um destes investimentos, direta ou indiretamente, afeta o setor turístico e assim precisa ser justificado para esse fim.

 

 

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Diego Ramon

Diego Ramon é formado em Turismo pela Universidade Federal de Ouro Preto, com experiências profissionais no setor privado e público do trade turístico.

 

 

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