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87% dos brasileiros apoiam paralisação, mas não querem pagar a conta

Segundo pesquisa Datafolha, apoio ao movimento é grande porque as consequências ainda não são percebidas no dia a dia da maioria dos entrevistados

Por Datafolha | 30.05.2018

 

Pesquisa Datafolha revela que 87% dos brasileiros apoiam a paralisação dos caminhoneiros e acham que o movimento deve continuar. No entanto, a população não se mostra disposta a arcar com as consequências das concessões cedidas pelo governo para que o movimento se encerre.

O levantamento foi realizado por telefone com 1.500 pessoas, na terça-feira (29), e divulgado pelo jornal Folha de S. Paulo nesta quarta-feira (30). A margem de erro é de três pontos para mais ou para menos.

De acordo com a pesquisa, 10% dos entrevistados são contrários à paralisação, 2% são indiferentes e 1% não soube opinar.

Mais da metade (56%) das pessoas que responderam ao questionário acredita que a greve dos caminhoneiros deve continuar, contra 42%, que defendem o fim.

O apoio aos manifestantes ocorre de forma homogênea em todas as regiões do país, caindo um pouco entre os mais ricos e mais velhos.

Enfraquecido, o movimento segue para o seu décimo dia nesta quarta-feira (30). A paralisação dos caminhoneiros é em protesto contra o preço do diesel, que é regulado pela Petrobras. O aumento do preço do petróleo e a alta do dólar geraram uma série de ajustes recentes.

Incomodados com a alta carga tributária, 92% dos entrevistados consideram o pleitos dos caminhoneiros justo. O índice é de 57% mesmo entre aqueles que são contra o movimento.

Para 50% dos entrevistados, os caminhoneiros são mais beneficiados do que prejudicados pela paralisação. 60% acreditam que as transportadoras têm mais prejuízos.

O cidadão se vê mais prejudicado (43% a 33% dos que se acham mais beneficiados) pessoalmente. 56% dos entrevistados acham que o "brasileiro em geral" é mais prejudicado.

De acordo com a pesquisa, o brasileiro não concorda em ser penalizado com o aumento de impostos e corte de gastos do governo para atender aos pedidos dos caminhoneiros. Apenas 10% dos ouvidos aprovam as medidas anunciadas, contra 87%. Os entrevistados acreditam que o governo esteja favorecendo empresários e caminhoneiros, e prejudicando a população.

A condução das negociações pelo governo federal é aprovada por apenas 6% dos ouvidos, contra 77% que a desaprovam. Para 16%, ela foi regular, e 2% disseram não saber avaliar. 96% afirmam que o presidente Michel Temer demorou para negociar, contra 3%, que acham que as conversas ocorreram no momento certo.

A pesquisa também conclui que a aprovação em massa do movimento organizado pelos caminhoneiros esteja associada ao baixo impacto direto no cotidiano dos entrevistados. Dos ouvidos, 51% relataram ter deixado de fazer algumas das atividades apresentadas na pesquisa, contra 49% que mantiveram a rotina.

O número acompanha a proporção daqueles que disseram ter tido problemas para abastecer o automóvel: 53% ao todo, sendo que 37% disseram ter tido muita dificuldade.

Já o desabastecimento de alimentos ainda não é percebido. Apenas um quarto dos entrevistados disse ter tido dificuldade para comprar comida.

15% das pessoas que responderam à pesquisa disseram que deixaram de ir ao trabalho por conta da greve, contra 73%, que mantiveram a assiduidade. Já a ida à escola foi interrompida por 19% dos alunos, enquanto 69% frequentaram as aulas normalmente

A visita ao médico foi evitada por 13%, enquanto 83% a mantiveram. Atividades de lazer foram mantidas por 73%. Dos entrevistados, 26% relataram cancelamentos e 28% disseram que não vão viajar no feriado de Corpus Christi, nesta quinta-feira (31). Já 67% seguiram com seus planos anteriores.

Ao serem perguntados sobre quem seriam os responsáveis pelo movimento, 42% apontaram os motoristas de caminhão autônomos, 31% dizem que são as empresas transportadoras, 7% acham que o movimento tem autoria compartilhada e 5% afirmam que o próprio Temer e políticos são responsáveis pela paralisação.

Se os caminhoneiros não cederem, 88% defendem a continuidade das negociações, contra 9%, que acham que deve haver uso de Forças Armadas e policiais.

 

 

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