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48 famílias são expulsas por traficantes de condomínio popular no ES

Por | 09.01.2018

 

Um condomínio popular que fica às margens da rodovia ES 010 na Serra, no Espírito Santo, virou moradia para traficantes. Ao todo, 48 famílias foram expulsas do local, que possui 2,5 mil moradores em 608 apartamentos. A informação foi publicada com exclusividade pelo jornal A Gazeta desta terça-feira (9).

G1 ouviu a secretaria de Segurança Pública sobre as medidas a serem tomadas para a que os traficantes deixem o local e um especialista comentou o assunto.

O condomínio chamado Ourimar faz parte do programa Minha Casa, Minha Vida. O local foi ocupado por famílias de baixa renda em 2016, beneficiadas por programas sociais. A invasão do tráfico no local já dura dois anos.

 

Polícia

O subcomandante de policiamento de área Capitão Wanderson disse que são feitas ações cotidianas para resolver a situação de Ourimar.

"Nós estamos com ações no conjunto Ourimar continuamente. Nós vamos manter essas ações. Abordagens às pessoas, cerco tático, essas ações diuturnas e vão continuar acontecendo. Elas seguem a legislação. O conjunto é uma área privada, então requer ação de outros atores junto com a Polícia Militar. Então, a gente busca informações junto a comunidade, um trabalho de confiança, para angariar essas informações, e junto com a Polícia Civil, prefeitura e judiciário conseguir fazer um planejamento e realizar ações dentro do condomínio", disse.

O capitão disse ainda que é preciso "desvendar o mito de que em Ourimar só existem pessoas de má índole".

"A maioria dos moradores são pessoas de boa índole, uma minoria tem envolvimento com o crime e nós procuramos desenvolver ações sempre buscando intimidar a ação dessas pessoas que agem praticando crimes. E dessa forma, garantindo segurança para as pessoas que ali residem", completou.

 

Análise

O especialista e professor do Mestrado de Segurança Pública da UVV, Pablo Lira, explicou que a região onde o condomínio está possui um histórico de falta de políticas sociais, econômicas e de habitação de interesse social.

“Falta um planejamento prévio, cadastro das famílias e atuação direta do poder público federal e municipal para acompanhamento. Essas famílias que vão morar lá precisam receber assistência, precisam manter os laços de vizinhança para aumentar a coesão social. Muitas delas não estão nem acostumadas a viver em condomínio, que é diferente de uma ”, afirmou.

Para o especialista, é preciso também acompanhar a população que habita nesses condomínios. “É importante ter um acompanhamento para evitar essas invasões, porque criminosos podem se apropriar disso”, completou.

Lira explicou que para superar o problema das invasões é preciso um trabalho conjunto entre moradores, poder público e a Justiça.

“É preciso a mobilização dos moradores de bem, os trabalhadores, com o apoio do poder público, da Guarda Municipal, das polícias Militar e Civil e também é fundamental a atuação do judiciário. A Justiça vai garantir um restabelecimento de posse”, completou.

 

O caso

Segundo a reportagem da jornalista Glacieri Carrareto, de A Gazeta, só em 2017, 48 famílias foram expulsas dos apartamentos. Já os moradores que ficaram vivem com medo. Quem tenta enfrentar a presença dos traficantes sofre punições.

Desde que foi inaugurado, em 2016, os moradores são obrigados a conviver com traficantes que disputam o comando da venda de drogas no condomínio.

Na entrada, a pichação no muro já indica que o poder dos traficantes: “abaixe os vidros e farol”, acompanhado do desenho de uma arma.

Os relatos dos moradores são de pavor. “Já colocaram arma no rosto do meu neto pequeno, só porque meu genro entrou no prédio com o carro", disse um deles.

Em julho de 2017, uma operação com 400 policiais prendeu 14 pessoas com armas e drogas. Mais de 300 apartamentos foram revistados durante a operação, com autorização da Justiça.

Agora, os moradores esperam a ação do poder público no local, com a realização de projetos sociais e medidas de segurança para realizar mudança e levar paz ao condomínio.

 

 

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